02. Nov. 2016
11ª CineOP aposta em preservação e educação

Seis dias de programação gratuita, entre os dias 22 e 27 de junho, exibe 34 sessões de cinema com 19 longas, 6 médias, 65 curtas em três espaços de Ouro Preto - Praça Tiradentes, Cine Vila Rica e Centro de Convenções.

voltar

A 11ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto selecionou 90 filmes distribuídos em 34 sessões de cinema que serão realizadas em três espaços da cidade histórica: Cine Vila-Rica, Cine BNDES na Praça e Centro de Convenções. Serão exibidos, entre os dias 22 e 27 de junho, 19 longas, 6 médias e 65 curtas, sendo 42 deles produzidos por educadores e estudantes no contexto escolar e que serão apresentados na Mostra Educação, que integra pelo segundo ano consecutivo a programação de filmes da CineOP.

Além da Mostra Educação, a programação abrangente e gratuita do evento exibirá filmes distribuídos nas mostras Contemporânea, Preservação, Homenagem, Histórica e Praça, para longas e médias, e as Mostras Preservação, Histórica, Praça, Venturas, Mostrinha e Horizontes para os curtas-metragens. Os títulos representam diversas expressões da produção cinematográfica brasileira, em diferentes formatos e épocas, de 12 estados brasileiros (SP, RJ, MG, PR, RS, SC, RN, PB, PE, CE, GO e SE).

Um dos diferenciais da CineOP é seu posicionamento como principal – senão o único – evento em todo o país voltado para a preservação e história do cinema. A Mostra se propõe a olhar para o passado para compreender o presente e pensar no futuro. Por isso, o eixo temático da 11ª CineOP é Cinema, TV e Educação.

Cinema a céu aberto na Praça Tiradentes

A seleção da Mostra Histórica, assinada pelo curador e crítico de cinema Francis Vogner dos Reis, buscou reunir produções históricas enfocam a temática proposta para esta edição da CineOP: o período da chamada Abertura Política que vai de 1976 até a nova Constituição, em 1988. O público poderá conferir nas telas, e também nos debates, como o cinema, de alguma maneira sentiu, pensou e reagiu ao processo de abertura democrática brasileira.

Além disso, a Mostra presta homenagem ao diretor Eduardo Coutinho, um dos mais importantes documentaristas do país, exibido na abertura do evento, no próximo dia 23, seu mais importante filme “Cabra Marcado Para Morrer”. Serão exibidos ainda, na Mostra Homenagem, os longas-metragens Jogo de Cena e Últimas Conversas.

Entre os títulos selecionados para a Mostra Histórica, os filmes Eles não usam Black Tie, de Leon Hirszman (1981) e A Próxima Vítima, de João Batista de Andrade (1983), fazem uma avaliação mais direta desse período político no País. Já o longa Extremos do Prazer, de Carlos Reichenbach (1983), tentava entender a experiência de uma juventude, filhos da ditadura; o média Superoutro, de Edgard Navarro (1989) é uma perspectiva tardia da contracultura frente a falta de horizonte político num período de pós-ditadura e, por fim, um filme que exemplifica bem o processo dessa Nova República pós-constituinte é Festa, de Ugo Giorgetti (1989). Outros filmes que merecem atenção do público são os Cases Cinema e TV, que integram a Mostra Histórica e que dialogam também com a Temática Preservação.

Ainda a partir de um olhar para o passado, mas mudando o foco para outro tipo de dispositivo audiovisual, na 11ª CineOP a Temática Preservação vai refletir sobre o acesso e a preservação de Arquivos de Televisão. O filme emblemático da Mostra Preservação em 2016 é o documentário Jango (1984), de Silvio Tendler. Para a realização do longa-metragem, o diretor utilizou vasto material de arquivo para acompanhar a trajetória do ex-presidente João Goulart, deposto no golpe civil-militar de 1964.

A Mostra Contemporânea da CineOP contará com duas pré-estreias nacionais: Filhos de Bach, uma co-produção Brasil-Alemanha, dirigida por Ansgar Ahlers, e Crônicas da Demolição, dirigido por Eduardo Ades. A seleção de produções contemporâneas traz filmes que, de diversas maneiras, relacionam-se com a noção de Cinema Patrimônio, que é um dos focos de atenção da Mostra. Alguns dos destaques são: Mar de Fogo, de Joel Pizzini; Satan Satie ou Memórias de um Amnésico, de Juruna Mallon e Lucas Parente; Sem Título #2: La MerLarme, de Carlos Adriano.

O público que participar da CineOP poderá conferir a diversidade da produção em curtas-metragens nas mostras: Horizontes, Histórica, Praça, Preservação, Venturas, Educação, Mostrinha e Cine-Escola. A curadoria dos títulos contemporâneos (Horizontes, Praça e Venturas) ficou a cargo de Francis Vogner dos Reis. Entre os filmes estão Retalho (MG), de Hannah Serrat; Super Frente, Super-8 (SE), de Moema Pascoini; A Casa Sem Separação (PR) de Nathália Tereza; História de uma Pena (CE), de Leonardo Mouramateus; Lápis Sem Cor (GO), de Iuri Moreno e A Bolsa (SP), de Deborah Perrotta, Jason Tadeu e Marcela Cardoso, entre outros.

A Mostra Educação, reúne 42 curtas produzidos no Brasil por educadores e estudantes no contexto escolar e espaços não-formais de ensino. Os filmes serão exibidos em duas sessões durante a mostra, divididos nas temáticas Mostra Kino Animação, Mostra Kino Ambiental, Mostra Kino Ocupação, Mostra Kino Diversidade, Mostra Kino Carta e Mostra Kino Mudo.

Em 2016, a Mostra Educação contará ainda com a exibição do documentário em longa-metragem Acabou a paz, isto aqui vai virar o Chile, escolas ocupadas em São Paulo, dirigido por Carlos Pronzato. O filme retrata o levante dos estudantes paulistas no segundo semestre de 2015 contra o fechamento de 94 escolas, que culminou na ocupação de mais de 200 que seriam afetadas pelas ações de precarização do ensino público engendradas pelo Governo de Geraldo Alckmin. A coragem, a autonomia, a horizontalidade e solidariedade demonstradas pelos secundaristas paulistas, inspirados no exemplo dos estudantes secundaristas chilenos, os famosos Pingüins, deixou sua marca na história das lutas populares do Brasil.

voltar