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Encontro virtual será transmitido na sexta-feira (26/2), pelo Instagram da Biblioteca Estadual, e vai abordar o primeiro livro do autor, “Bem-me-quer”

Berço de importantes nomes da Literatura Nacional, o estado do Rio Grande do Sul é também celeiro de novas gerações de escritores. E é a recente trajetória de mais um gaúcho que será tema da próxima live do projeto “Novos Talentos”, iniciativa da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais para dar mais espaço e divulgação a diferentes produções da Literatura e das artes em geral. O convidado da vez é o escritor Lucas Andrade Ananias, que tem um encontro marcado pelo Instagram da Biblioteca na sexta-feira (26/2), a partir das 15h.

Com mediação de Eliani Gladyr, a conversa se dará em torno do livro “Bem-me-quer” (Ed. Arte Impressa, 2021), obra de estreia de Lucas no universo da Literatura. O romance conta a história do casal Luan e Amanda, que descobre um segredo após a Cápsula do Tempo ser aberta. Os jovens iniciam um romance em um momento complicado para ambos: enquanto Luan está envolvido com seu trabalho em uma agência de turismo, Amanda precisa ir a Madrid para iniciar um estágio e ajudar a irmã com os preparativos do casamento.

“Apesar de ser a primeira obra do autor, “Bem-me-quer” surgiu para Lucas Ananias ainda na infância. Na quarta série do Ensino Fundamental eu já tinha alguns dos personagens dessa história em mente. Eu já imaginava uma história onde um casal de namorados se separava. A história surgia na minha cabeça, desaparecia por algum tempo e depois surgia de novo. Foram anos com essa ideia na cabeça até que eu estava no mestrado e fiz uma viagem pra Espanha pra apresentar um trabalho”, comenta Lucas.

A partir de 2014, a ideia de publicar uma história se tornava mais sólida e, entre idas e vindas, o escritor passou a se dedicar ainda mais ao seu projeto. Em um mês eu já estava com umas cento e vinte páginas escritas. “Escrevi como um desafio: quero ver se eu sei escrever. E de todas as histórias que eu tinha na cabeça, essa era a que mais me parecia possível de colocar no papel naquele momento. Pedi pra uma amiga ler o que eu escrevia. Eu mandava o capítulo e ela me pedia outro. Eu escrevia e mandava. Ela terminava de ler e eu nem tinha terminado de escrever o outro. Aí eu encerrei a primeira versão”.

Com 32 anos de idade, Lucas descobriu o gosto pela Literatura com os clássicos livros da Coleção Vaga-lume, uma das principais referências literárias para diversas gerações de crianças e jovens. “Eu tenho certeza de que muitos leitores da minha faixa etária também começaram por estes livros. Eu ficava olhando as capas dos livros e relacionava as obras aos autores. No decorrer da minha vida escolar, tudo se encadeava numa lógica muito própria. Talvez por ser filho único, eu criava histórias pra mim mesmo”, destaca Lucas.

E são as narrativas envolvendo mistérios, charadas e segredos e que prenderam a atenção do escritor ainda na infância, que ajudaram a ambientar a história de “Bem-me-quer”. O início tem um viés até mesmo saudosista, já que fala do reencontro de ex-colegas de escola. Depois a gente tem a evolução pra um romance que sustenta a história no primeiro terço. E é nessa parte da história que eu lanço várias pistas pra um quebra-cabeças que depois segue até o desfecho. Então o público pode esperar isso: uma provocação”, explica o autor.

Lucas Ananias reside em Blumenau (SC), além de escritor, é psicólogo, com mestrado em Educação e cursa Licenciatura em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina. Para ele, a chance de conversar com o público sobre seu trabalho como autor é uma grande oportunidade em sua carreira. De acordo com Lucas, a iniciativa da Biblioteca Estadual em abrir espaço para os novos talentos da Literatura é uma excelente proposta para despertar o interesse da literatura em novos públicos.

“A gente espera ser lido e receber algum feedback sobre o que escrevemos. Pra dialogar sobre os livros e quem sabe despertar em alguém o interesse pela nossa obra, é preciso que existam iniciativas como esta. Foram quase três anos desde que decidi que a obra estava pronta até a publicação – sem contar o tempo em que as ideias ainda são ideias. É uma construção demorada e encontrar espaços para falar sobre nossas obras é tão importante quanto vê-las publicadas”, comenta o escritor.

Além das páginas impressas, Lucas também divulga suas ideias na internet. Ele é autor do blog Cascudeando.com, que trata de assuntos relacionados ao segmento audiovisual, como filmes e séries. Para o escritor, o diálogo entre diferentes linguagens artísticas é, também, uma forma de aproximar o público e possibilitar que uma nova geração desperte o interesse pela Literatura por meio de outras referências. “Existe um intercâmbio muito forte entre o produto audiovisual e a produção literária na atualidade”, pontua.

Lucas ainda aponta que o audiovisual amplifica o alcance de autores que trazem consigo histórias com uma pegada mais cinematográfica. “Há várias obras que passaram a ser conhecidas a partir de adaptações para o cinema, televisão e serviços de streaming. Eu mesmo li “As vantagens de ser invisível” (Stephen Chbosky) e “Com amor, Simon” (Becky Albertalli) após ter visto os filmes. O contrário também acontece. Vejo pessoas que se interessam em ler o livro ao saber que uma determinada obra vai ser adaptada para depois assistir ou ao filme ou à série. A saga Harry Potter é um exemplo”, finaliza.

Em breve, o livro “Bem-me-quer”, de Lucas Andrade Ananias, fará parte do acervo literário da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.