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Biblioteca Municipal Lêda Rodrigues Silva, que integra o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, venceu o Desafio Bibliotecas em Casa, do Programa Recode 

A antiga estação ferroviária de Andrelândia abrigou um espaço onde passavam muitas das mercadorias que entravam e saíam da cidade, transportadas pelo trem. Películas de cinema, mantimentos e até mesmo animais de pequeno porte passavam pela balança que hoje carrega livros com o questionamento: qual é o peso das palavras? O antigo cofre também foi deslocado de seu sentido e carrega hoje o valor das palavras, sendo aberto pelo público para doações de livros.

Um lugar que se transformou em muitos modos de habitar, um espaço que é biblioteca, sede da Secretaria de Cultura, espaço para oficinas criativas, palestras, encontros e novos modos de pensar o mundo. É nessa Estação da Cultura que um grupo de jovens levantou a poeira das coisas e transformou numa central criativa para projetos durante a pandemia. São inúmeros projetos: clubes literários (Sinhá Costureira e Serelepe), Ciclo de Cinema Bacurau (online), Contações: um projeto de estórias itinerantes, literatura delivery, oferta de cursos de formação profissional pela UFMG, gravações de filmes, festivais online como o Viraliza Cultura, saraus, projeto bordados afetivos, projetos de educação patrimonial nas escolas, dentre tantos outros. 

A Biblioteca municipal obteve um destaque nacional nesse momento de isolamento social, assim, a equipe da secretaria de cultura demonstrou que as palavras têm um poder transformador na vida das pessoas, que as palavras não devem ficar presas em estantes, elas devem fluir, perpassar toda a cidade, o grupo entende que a palavra é alimento, também foi doada junto a cestas básicas do CRAS, compreendendo que a literatura é básica.

A palavra também é encontro, demonstrando que pessoas solitárias poderiam se deparar com autores, histórias e narrativas de mundo. A palavra é viagem, é possível sair do lugar-comum, sair de um confinamento e viajar pelo mundo da imaginação. A palavra é reinvenção, por meio de oficinas de colagens a biblioteca fez projetos artísticos. A palavra é conhecimento e transformação social, pode mudar a realidade de muitas pessoas. 

A biblioteca teve uma grande parte de seu acervo por doações, livros vindos de vários lugares da cidade e de outros municípios (Belo Horizonte, São Paulo, Juiz de Fora, Rio de Janeiro, cidades vizinhas a Andrelândia), um amplo e diversificado acervo. O livro chega, é colocado de quarentena, após duas semanas é feita uma triagem temática para as bibliotecas parceiras, o que complementa o acervo da biblioteca Profa. Lêda é catalogado e colocado nas estantes.

O projeto cresceu, se expandiu para outras parcerias, a Biblioteca fez parceria com a Secretaria de Educação realizando encontros semanais com as bibliotecárias das escolas do município, auxiliaram na montagem da biblioteca do pré-escolar, outras duas bibliotecas do ensino fundamental I e II, no CAPS e recentemente desenvolve um projeto de formação para gestão de acervos de forma remota para a unidade prisional de Andrelândia, para futuramente montar uma biblioteca neste espaço.

As bibliotecárias das escolas parceiras desempenham um papel fundamental, encontram-se online semanalmente para definir ações envolvendo esse espaço tão importante nas ações pedagógicas do ambiente escolar. As parcerias foram de suma importância para que este projeto acontecesse de maneira tão fortalecida, foi possível unir a SECULT Andrelândia à Secretaria de Educação, Ong RECODE, Fundação Guairá, Confraria dos Poetas, Unicamp, UFJF, UFMG, USP, UNB, Colégio de Aplicação João XXIII, Colégio Guairá, dentre tantos outros apoiadores e parceiros.