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Responsável por um estilo único, escritor se inspirou na oralidade sertaneja para contar suas narrativas
 
Em 27 de junho de 1908, nascia, em Cordisburgo, um dos maiores escritores brasileiros do século XX, Guimarães Rosa. Diplomata, novelista, romancista, contista e médico, esse mineiro foi responsável por revolucionar a literatura brasileira, criando um vocabulário próprio ao narrar histórias ambientadas no sertão, especialmente o de Minas Gerais, enfatizando, também, temas nacionalistas e regionalistas, envoltos por uma linguagem inovadora, repleta de invenções, neologismos e expressões populares.
 
O escritor estreou na Literatura em 1929, com a publicação do conto “O mistério de Hihhmore Hall”, na extinta revista O Cruzeiro. Porém, antes de ser reconhecido na Literatura, formou-se em medicina em 1930. A profissão o levou para o interior do estado, onde teve seus primeiros contatos com a realidade do povo sertanejo. Em 1934 foi aprovado em um concurso para o Itamaraty e exerceu diversas funções diplomáticas no exterior como, por exemplo, cônsul do Brasil em Hamburgo, na Alemanha.
 
Desde a publicação de seu primeiro livro, Sagarana, em 1946, Guimarães Rosa despertou a atenção dos leitores para o jeito único de suas narrativas. A obra, que integra o acervo da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, dá início a todo o misticismo da saga sertaneja que o escritor mineiro iria aprofundar ao longo de sua carreira. Reunindo nove contos, Sagarana traz na oralidade, estilo muito comum de Guimarães Rosa, um universo à parte do sertão.
 
Para a diretora do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), Alessandra Gino, a publicação de Sagarana garantiu a Guimarães Rosa um lugar de destaque na literatura nacional. “Com o livro, Guimarães Rosa apresentava uma linguagem inovadora, repleta de regionalismos e simbologias do sertão que ele, sabiamente, transformou em histórias. Essa oralidade traduzida em páginas é de uma sensibilidade enorme e enriquece ainda mais as histórias contadas por ele”, destaca Alessandra.
 
Grande entusiasta de línguas, Guimarães Rosa estudou vários idiomas, como francês, alemão, inglês, espanhol, italiano, russo, latim e grego, o que acabou por influenciar suas experiências linguísticas ao longo do tempo. Seu mais célebre livro, Grande Sertão: Veredas, publicado em 1956, e que foi inspirado em uma viagem feita ao interior de Minas Gerais, reúne as interpretações míticas e a invenção de uma linguagem única para desvendar o sertão.
 
Representante do modernismo brasileiro, Guimarães Rosa criou uma literatura que bebeu da fonte da geração de 1930, oferecendo novas alternativas aos anseios dos criadores daquele período da arte brasileira. À própria maneira, ele introduziu novos vocábulos na língua portuguesa, dando outro significado à linguagem, que passou a cumprir uma função muito mais poética, elemento imprescindível para a interpretação das histórias do escritor, quase sempre repetindo o dialeto sertanejo.
 
Além de Sagarana (1946) e Grande Sertão: Veredas (1956), Guimarães Rosa publicou Corpo de Baile (1956), Primeiras Estórias (1962), Tutameia - Terceiras Histórias (1967). Das obras póstumas, foram publicadas Estas Estórias (1969), Ave, Palavra (1970) e Magma (1997). Em 1963, foi eleito para a Cadeira nº 2 da Academia Brasileira de Letras. Sua posse, porém, ocorreu em 16 de novembro de 1967.
 
Entre premiações recebidas ao longo da carreira, destacam-se o prêmio da Academia Brasileira de Letras em reconhecimento à coletânea de versos Magma (1936), o Prêmio Filipe d'Oliveira pelo livro Sagarana (1946). Já Grande sertão: Veredas recebeu o Prêmio Machado de Assis, do Instituto Nacional do Livro, o Prêmio Carmen Dolores Barbosa (1956) e o Prêmio Paula Brito (1957); Primeiras estórias recebeu o Prêmio do PEN Clube do Brasil (1963). O escritor faleceu em 19 de novembro de 1967, no Rio de Janeiro.
 
Semana Roseana
Tradicional evento realizado pelo Museu Casa Guimarães Rosa, equipamento da Secult, em Cordisburgo, a Semana Roseana ocorrerá em breve, desta vez em edição on-line, devido às restrições impostas pela pandemia. Trata-se de uma importante celebração à vida e à obra de Guimarães Rosa, reunindo diversas atividades artísticas e culturais.

Imagem: Wikimedia Commons